Cautela na transição política no Zimbábue
Abril 26, 2008
Desde de que chegou ao poder em 1980, sendo o primeiro líder negro do país, Robert Mugabe tem permanecido no poder e para muitos apenas tem conseguido tal feito por governar o país com mão de ferro e ganhando eleições no mínimo controversas.
As eleições parlamentares desse ano nos chamam a atenção pela inédita vitória do partido de oposição, o MDC (Movement for Democratic Change). O MDC conseguiu pela primeira vez, na “Era Mugabe” a maioria no Parlamento, após uma contestada recontagem de votos. A vitória deve ser considerada expressiva em função do clima de violência política que reina no país e ronda os simpatizantes da oposição.
O século XXI tem sido particularmente conturbado no que se refere às eleições no Zimbábue. Em 2002 após a reeleição de Mugabe, considerada altamente controversa, o país foi suspenso da Commonwealth (Confederação de Estados que faziam parte do Império Britânico, com exceção de Moçambique). Em 2005 o partido do presidente Mugabe, o Zanu-PF, conseguiu mais de dois terços dos assentos no Parlamento, o que permitiu o presidente fazer, inclusive, algumas reformas Constitucionais. Esta eleição foi considerada altamente injusta e falha pela oposição e por observadores internacionais.
Agora finalmente, a oposição conseguiu uma expressiva vitória eleitoral. Resta saber se uma possível transição política pacifica irá ocorrer no Zimbábue ou o clima de intimidação política continuará a minar os esforços da oposição, acusada por Mugabe de ser a ferramenta do Ocidente no país. Os desdobramentos futuros serão cruciais para saber se essa transição poderá desembocar ou não em um conflito civil aberto.
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