Referendo autonomico na Bolívia
Maio 12, 2008
A expressiva vitória do sim no referendo (sendo o sim significando o apoio ao estatuto autonômico) com 85,06% dos votos validos acirraram os ânimos no debate sobre a questão da autonomia na Bolívia. Muitos analistas consideraram o resultado como uma derrota para o governo de Morales e naturalmente uma vitória para aqueles que lutam para aumentar a autonomia dos departamentos na Bolívia.
Tão logo começaram a sair os resultados parciais, a vitória do sim já parecia estar garantida e os organizadores da campanha pró-autonomia já começavam a comemorar. Em contrapartida Morales e oficiais de seu governo, também antes do resultado final, já começavam a anunciar o “fracasso” do referendo. Segundo Morales, o referendo falhou em sua proposta porque teve um alto grau de abstenção, cerca de 35%. Para o governo isso significou que mais de 50% da população se posicionou contra o estatuto de autonomia, uma vez que se forem somados os percentuais dos que votaram contra (14%), mais os votos em branco e nulo e as abstenções, chegaria a mais de 50%.
O que parece certo neste momento é que os partidários de uma maior autonomia nos departamentos bolivianos parecem ter ganhado um importante respaldo popular que aumentou consideravelmente o seu poder de barganha. O governo boliviano já acenou que está disposto a negociar o mérito, contudo ao que parece nada de concreto ocorrerá enquanto não forem realizados os referendos nos demais departamentos, nos quais a expectativa pela vitória do sim é grande.
Uma questão importante que deve ser levada em conta é a possibilidade de uma possível secessão na Bolívia, evento que tem preocupado alguns setores do governo e tem sido utilizado como argumento daqueles que são contra os estatutos autonômicos. Até o presente momento uma cisão do Estado Boliviano parece altamente improvável. Os principais atores envolvidos no processo da autonomia já declararam que o projeto é de promover uma “federalização” e não uma independência. Até por que um processo de independência, aparentemente, não possuiria nenhum apoio internacional, uma vez que não só os países vizinhos como organismos internacionais, como a OEA, já se manifestaram contra uma possível secessão.
Tudo o que resta é observar o desenrolar das negociações vindouras para saber até onde o processo de autonomia dos departamentos bolivianos irá e torcer para que o conflito permaneça nas mesas de negociação e não transborde para as ruas, como frequentemente tem ocorrido na Bolívia.
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1.
Sonia Regly | Novembro 6, 2008 at 1:36 pm
Amiga,
O endereço do Compartilhando mudou, agora estamos o WordPress.Gostaria que vc linkasse o novo endereço para receber as atualizações e meu ranking não aumentar lá no Blogsblogs. Obrigada!!!
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