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Por que devemos receber Ahmadinejad?
Semana passada um dos eventos que mais acalorou os debates foi vinda do presidente iraniano Ahmadinejad ao Brasil.
Por que nosso presidente deveria receber um homem que nega o Holocausto, prega a destruição de uma outra nação, é acusado de violar os direitos humanos em seu país e de fomentar o terrorismo em sua região. De fato, é razoável que ninguém quisesse que seu presidente estreitasse laços com um mandatário de currículo tão pesado.
Enfim, se ainda me perguntassem se deveríamos recebê-lo, diria que sim. Agora o porquê, já demanda mais algumas linhas para explicar decisão tão polêmica. Antes de qualquer coisa, meu argumento se baseia em que devemos receber todos os mandatários que buscassem o Brasil, seja para estreitar laços ou, principalmente, para mediar alguma situação de conflito. A estratégia de isolar e alienar são retrógradas, e está em baixa até nos EUA, pois ela visivelmente dificulta o diálogo e cria constrangimentos para futura reaproximação e acordos.
Ainda, tal postura seria de certo modo incoerente para a maior parte dos que a defendem, pois quando o presidente americano Bush se recusa a receber diversos presidentes, seja qual fora seu motivo, ele era pesadamente criticado. Agora, espera-se que Lula faça o mesmo.
Voltando ao presidente iraniano, longe de querer justificar seus atos e palavras, dos quais discordo em maior parte. Contudo, para cada uma das acusações feitas a ele, podemos identificar um, ou mais, presidente(s) que sofra(m) acusações semelhantes que não causariam um décimo do rebuliço causado pela vinda do Sr. Ahmadinejad.
O Brasil ao longo dos anos adquiriu um capital político precioso. Hoje somos um dos únicos (senão o único) países de relativo peso político internacional que goza de uma credibilidade invejável em sua postura ante aos demais países. Os pilares da nossa política externa, que remontam o Barão do rio Branco, repousam na não intervenção dos assuntos alheios (soberania), solução de controvérsias por meios pacíficos e no multilateralismo. Essas características nos deram uma aura de neutralidade que nos permite circular pelos corredores da ONU sem nos preocupar em cruzar com quem quer que seja. Tornamos-nos um mediador legítimo para todos. O próprio Ahmadinejad reconheceu esta qualidade entoando que o Brasil é uma potência desinteressada e que, portanto, tem o direito natural de opinar nas grandes questões.
O ponto, no fim, é mais ou menos o seguinte. Podemos contribuir de algum modo. Certamente não será isolando nossos interlocutores. Para atuar como mediadores legítimos e com possibilidades de sucesso, temos que ser aceitos pelos dois lados como um ator dotado de credibilidade e desinteresse. Só assim podemos sentar mesa de negociações e fazer com que todos nos escutem sem reservas. Apenas assim podemos buscar a mudança na postura de determinados líderes sejam árabes, israelences ou qualquer outro.
“Não se diz às pessoas o que fazer,
mas é importante fazer com que elas continuem sentadas à mesma mesa”
Provérbio Popular Norueguês
Autor: L. P.Neves
Add comment Maio 21, 2009
Quem ganhou e quem perdeu na tensão entre a Colômbia e Equador?
Antes de tentar analisar os fatos e aferir quem saiu vitorioso da confusão que se instalou no noroeste da América do Sul, é preciso deixar claro que as perdas e ganhos são bastante relativos, afinal elas estão sujeitas a interpretação e juízo de valor. Dito isso, expressarei como vejo que ficou a situação dos principais atores envolvidos em toda esta celeuma.
Colômbia – O episódio do ataque foi um erro para justificar um “acerto”. Definitivamente, violar a soberania de qualquer país é uma ofensa grave, mas na balança de perdas e ganhos, Uribe julgou que valeria a pena se arriscar com Rafael Correa do que deixar Reyes fugir mais uma vez. A Morte de Reyes foi a maior vitória do governo contra as FARC. Mais ainda, infelizmente, foi uma vitória da saída bélica para a resolução da guerra civil colombiana. Passado o episódio. Uribe ganhou pontos por reconhecer a violação da soberania equatoriana e pedir desculpas por isso. Ainda, sua decisão de não mandar tropas para suas fronteiras, mesmo vendo suas fronteiras ficarem apinhadas de soldados da Venezuela e do Equador, foi fundamental para conter uma possível escalada do conflito.
No final das contas, Uribe conseguiu importantes vitórias na sua guerra contra as FARC e por conseqüência na política interna. No plano externo sua imagem ficou um pouco arranhada, mas conseguiu evitar um conflito que não era interessante para ninguém.
Equador – De certa forma saiu vitorioso, afinal conseguiu que a Colômbia se desculpasse pelo ataque e uma prometesse que esse tipo de ação não se repetiria. Entretanto, julgo que Correa deixou transparecer falta de personalidade no inicio da tensão. Em seu primeiro pronunciamento, Correa apenas pediu uma investigação militar do incidente e chegou até a se oferece como mediador entre Uribe e as FARC. Em virtude dos ataques verbais de Chávez e de suas atitudes (fechar a Embaixada Venezuela na Colômbia e mandar tropas pra fronteira), Correa parece não ter tido opção e também encrudesceu o seu tom, dificultando o entendimento entre o seu governo e o colombiano. De qualquer forma, o resultado foi favorável de um modo geral.
Venezuela – Aparentemente, um dos que saiu mal da história. Chávez desde o inicio funcionou como combustível na fogueira. Suas palavras e atitudes foram as grandes responsáveis pelo acirramento dos ânimos. Obteve uma derrota política ao não ver a Venezuela incluída na resolução da OEA. Depois disso, passou a defender uma saída pacífica e inclusive pedir a politização das FARC. Chávez, para muitos, saiu como um grande encrenqueiro do conflito, sem sua influência sobre Correa, a tensão poderia não ter passado de um incidente facilmente manejável.
FARC – sofreu uma seqüência de derrotas. Em uma semana viu dois de seus principais membros serem mortos, Raúl Reyes e Ivan Rios. Perdeu sua aura de invencibilidade ao perder tão importantes líderes. Viu todos seus dois pretensos “aliados”, Equador e Venezuela, negarem veementemente suas ligações com as FARC e ainda viu Chávez pedir a eles que depusessem suas armas (saída pouco provável). Se não bastasse isso tudo, ainda terão de enfrentar Uribe com animo renovado em virtude de suas vitórias recentes.
Nicarágua – Apareceu como um oportunista. Ortega, que rompeu as relações diplomáticas com a Colômbia em solidariedade ao Equador e também em função de uma contenda entre a Nicarágua e a Colômbia envolvendo limites marítimos (um motivo legítimo, mas por si só ainda não tinha motivado nenhuma reação mais dura por parte de Ortega). O interessante é que nem 24hs depois que Oretga havia formalizado o rompimento das relações com a Colômbia, a crise havia sido resolvida, restando ao presidente da Nicarágua voltar atrás de sua decisão.
OEA/Grupo do Rio – Os dois foros regionais foram vitais para solução dos conflitos. Primeiro, na OEA as partes chegaram a um consenso para a elaboração de uma resolução. Em um segundo momento, já no Grupo do Rio, toda a tensão foi resolvida e terminou com vários apertos de mãos. A única preocupação que ainda paira é se o fato de tudo ter sido resolvido na reunião do Grupo do Rio, ter esvaziado a reunião da OEA, fazendo com que sua resolução tenha perdido importância. Julgo que o foro da OEA foi imprescindível para que se pudesse chegar a um acordo na reunião do Grupo do Rio, foi o primeiro passo.
Brasil – Até a reunião da OEA o Brasil teve um papel importante, atingindo o seu ápice na segunda rodada de negociações. Após uma primeira reunião infrutífera, o Embaixador brasileiro Osmar Chohfi teve um papel destacadissímo ao mediar as partes na segunda reunião. Sua habilidade diplomática permitiu que fosse formulada a resolução da OEA, a primeira vitória do esforço multilateral para evitar a escalada do conflito.
Num segundo momento, na reunião do Grupo do Rio, o Brasil perdeu uma enorme oportunidade de participar da solução da controvérsia. Para um país que se pretende líder de uma região, abster-se de participar da solução do conflito constitui-se um grande erro. Para alguns a decisão do não comparecimento de Lula foi na realidade uma estratégia para “blindá-lo” de possíveis problemas, até em função da imprevisibilidade de Chávez, que tem roubado a cena de Lula no protagonismo regional. Enfim, mérito para a diplomacia brasileira representada por Osmar Chohfi e demérito para Lula por ter perdido a oportunidade de ter sido o grande mediador e por conseqüência o protagonista da solução desse episódio.
Leonardo Neves
Add comment Março 8, 2008
Brilho às custas de sangue: Diamante de Sangue surpreende!
O cenário é Serra Leoa da década de 1990…por incrível que pareça até Leonardo de Cáprio se destaca numa ótima atuação. Sem contar a performance de Djimon Hounsou, como o pescador Solomon Vandy. Apesar de ser uma narrativa holliwoodiana, o filme traz o lado humano da África à tona novamente, como poucas vezes se viu na história do cinema Hollywoodiano. Tal tendência, vem se repetindo nos últimos anos, o que já era tempo para ser feito.
Diamante de Sangue aborda o caminho percorrido pelos diamantes até chegar ao consumidor europeu: trata do sangue derramado durante sua extração, do recrutamento de crianças soldado, venda de armas para governo e milícias por parte dos mesmos fornecedores, controle dos estoques de diamantes para manutenção dos preços altos. Resumidamente o filme trata da necessidade de se controlar o comércio de diamantes brutos que financiam os conflitos armados nas regiões de extração e comercialização.
Em 2002, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 56/263 de 13 de março daquele ano, comunicando a criação do sistema de certificação desenvolvido no âmbito do Processo de Kimberley (nome da cidade Suíça onde foi assinado o processo). O objetivo básico deste sistema é evitar que os diamantes de guerra continuem a financiar conflitos armados e desacreditando o mercado legítimo de diamantes em bruto.
Na exportação, o Processo de Kimberley (PK) visa impedir a remessa de diamantes brutos extraídos de áreas de conflito ou de qualquer área não legalizada perante o Estado-membro. Já na importação, o PK visa impedir a entrada de remessas de diamantes brutos sem o regular Certificado do Processo de Kimberley (CPK) do país de origem.
O Sistema de Certificação do Processo de Kimberley (SCPK) é essencialmente um mecanismo internacional de certificação de origem de diamantes brutos, classificados nas subposições 7102.10, 7102.21 e 7102.31 do Sistema Harmonizado (SH) de Codificação e Designação de Mercadorias, destinados à exportação e à importação, visando impedir o financiamento de conflitos pelo seu comércio. Para saber mais consulte: Processo Kimberley
Imperdível esse filme! Bom para que curte cinema, bom para quem está antenado com as questões internacionais e para quem quer aliar uma coisa a outra uma perfeita reflexão.
6 comments Janeiro 6, 2007

